|
|
| História |
| |
Como atestam os achados de várias
sepulturas e outros objectos, é de admitir que esta povoação tivesse
sido habitada por Celtas e Turdulos Velhos. A existência de um povoado
romano não pode ser contestada uma vez que é frequente encontrarem-se
moedas, mós e sepulturas, particularmente no lugar do Beato, considerado
uma necrópole.
Calcula-se que a romanização tenha sido muito intensa não só pela
dimensão desta necrópole, mas também pela grande quantidade de objectos
encontrados. A antiguidade da Pocariça começa a demarcar-se com certo
relevo depois dos elementos arqueológicos que, em Maio de 1926, foram
encontrados no referido lugar do Beato.
No reinado de D. João III, em 1527, quando este ordenou que se fizesse
um levantamento da população do país, a população era composta por 38
vizinhos, aproximadamente 150 habitantes. Nesta época a Pocariça era um
simples lugar da freguesia de Cantanhede.
A freguesia só foi criada no ano de 1630, depois de uma prolongada e
acalorada questão com o cabido da Sé de Coimbra, questão essa que se
arrastava desde o ano de 1618. O litígio foi julgado a desfavor do povo
da Pocariça, mas os pocaricenses com a sua razão e pertinência acabaram
por ganhar o recurso no Tribunal da Corte Arquiepiscopal de Braga. Foi
então criado um curato, ficando a apresentação do cura ao cabido da Sé
de Coimbra que recebia anualmente de renda 180 mil réis.
A igreja matriz da Pocariça foi levantada no local onde existia a capela
de Nossa Senhora da Ajuda. Em 1839 a freguesia aparece na comarca da
Figueira da Foz e em 1852 na de Cantanhede onde continua.
Foi na freguesia da Pocariça que, pela primeira vez em Portugal se criou
a "Companhia de Cristo Rei" que, por sua vez, funda a "Obra de los
Sagrários" que em todas as casas da Companhia deviam funcionar.
|
| A feira dos 4 |
No livro "As Terras de Mira -
Perspectiva Histórica", da autoria de Maria Alegria Fernandes Marques,
Professora de História da Universidade de Coimbra, aparece na página 67
uma referência à vida económica da região no Século XIX.
Como pode ler-se no livro editado pela Câmara Municipal de Mira, «as
feiras dos concelhos de Cantanhede e Vagos (Pocariça e Cantanhede, no
primeiro, e Vista Alegre no segundo, a 4, 20 e 13 de cada mês,
respectivamente) eram abastecidas pelos produtos agrícolas do concelho
de Mira e, as primeiras, também pelo pescado da costa do Mar de Mira.»
Enviado por : Rui Pereira Coelho
|
| O nome Pocariça |
No tempo dos primeiros reis
apareceram inúmeras referências a Porcariça, como então lhe chamavam. No
entanto, a etimologia da palavra Pocariça tem dado origem a diversas
dúvidas e polémicas.
Tanto o Padre António Carvalho da Costa, na sua Corografia Portuguesa
(1868), Pinho Leal, no seu Portugal Antigo e Moderno (1876) e outros
autores assim a designavam, embora anteriormente outras denominações
aparecessem como Pucariça, Pocarina, Pocarissa e Purcariça.
O Padre António Carvalho da Costa ao narrar a vila de Cantanhede cita,
entre outros lugares do seu termo o da Pocariça, o que é um erro, uma
vez que esta povoação nessa data já constituia uma freguesia.Pinho Leal
diz que a denominação de Pocariça deriva do português antigo que
significava Porcariça, o mesmo que porqueira ou guardadora de porcos e
documenta isso com os Costumes e Posturas de Évora, de 1264. Agostinho
Rodrigues de Andrade, na Corografia Histórico-Estatísticado Distrito de
Coimbra, publicada em 1869, atribuiu-lhe a mesma designação.
Não desejando entrar em longas divagações etimológicas podemos admitir,
também que, uma versão que se manteve durante alguns anos e na qual se
dizia que Pocariça seria, no seu princípio constituída por duas
palavras: Porca e Riça que seriam a alusão à existência na povoação de
uma porca de cor castanha e de cerdas crespadas, animal esse de
estimação não só pela sua cor e qualidade do seu pêlo rijo, mas também,
por constituir uma raridade e daí darem o nome à localidade. Deve
tratar-se de uma lenda posta a correr há bastantes anos atrás.
O actual nome é Pocariça, designação que foi definida em 1925 pela
Câmara Municipal de Cantanhede, deliberação camarária confirmada pela
respectiva rectificação no Diário do Governo de 7 de Outubro de 1925.
|
| |
| |
| |
| |
| |
|
|
|