ASD 

 
20-11-2008, 13:13:19                                             

-

Fale connosco
Cartoon do dia 
Previsão Meteorológica Meteorologia

Jogos  

Ads


Get Firefox!
Get acrobat
 

Introdução | Biografia  | Obra do escritor | Imagens | Torga em Linha

Ser a Corda do Arco

Adolfo Correia da Rocha nasceu em S. Martinho da Anta em 12 de Agosto de 1907, comemorando-se agora os cem anos do seu nascimento. Para além de poeta, romancista, contista, diarista, dramaturgo e ensaísta foi ainda um claro interventor cívico e um combatente pela democracia futurante, enraízada na história.

A aldeia de S. Martinho da Anta, concelho de Sabrosa (distrito de Vila Real), viu nascer, filho de agricultores, aquele que viria a ser Miguel Torga, terra que lhe providenciou uma infância dura, para lá do Marão. Seu pai, porém, não lhe deu em alternativa as fragas, mas antes, à escolha, o seminário de Lamego ou o Brasil de seu tio.

Após um breve ano de seminário e de algumas participações como ajudante na missa, emigra para o Brasil em 1920, com treze anos, onde trabalha numa fazenda como capinador, na apanha do café, a mungir as vacas, a “procurar pelos matagais as porcas e reses paridas” e a caçar cobras, num suplício, se suplício foi, que duraria cinco anos, até ter dezoito de idade.

Seu tio, vendo nele o brilho do entendimento decide suportar as despesas com os seus estudos de Medicina em Coimbra, onde ingressa em 1928; com vinte e quatro anos de idade, estavam concluídos estes estudos, especializando-se mais tarde em otorrinolaringologia.

Ainda antes dos estudos académicos, logo em 1927, junta-se a homens como José Régio, Adolfo Casais Monteiro, João Gaspar Simões, Branquinho da Fonseca, Carlos Queiróz e Vitorino Nemésio para fundar o grupo da Presença, no que eram já evidentes as suas tendências modernistas, revelando uma opção estética pela liberdade e criatividade na representação literária.

A sua reconhecida têmpera individualista e intransigente – visível na sua escrita autobiográfica, gravada no seu rosto – haveriam de o levar à incompatibilidade com este grupo artístico, mas as suas ideias apareciam já em papel com a sua colectânea de poemas Ansiedade. Ansiedade de quê? Escreveria: “Canta dentro de mim a confiança / Da grande multidão silenciosa / Que me rodeia. / Move-se uma epopeia / Na rasa solidão do meu destino.”

Estabelece-se como clínico geral em S. Martinho da Anta e depois segue para Leiria, mas, por causa das tipografias, estabelece-se em Coimbra onde casaria com a belga André Cabrée, a quem avisa desde logo: “vou tentar ser bom marido, cumpridor. Mas quero que saibas, enquanto é tempo, que em todas as circunstâncias te troco por um verso.” Se nisto há amor da poesia, também tem o carácter subversivo que seria reflectido mais tarde, em 1958, no Orfeu Rebelde: “Nasci subversivo / A começar por mim – meu / principal motivo / de insatisfação.”

Em 1931, publica o seu primeiro livro de prosa, Pão Ázimo, onde se pode ler, por exemplo, que “Os bois caminhavam lentos, olhando as relhas antigas cavadas na fraga. / De rabo entre as pernas, mesmo debaixo das chedas vinha o rafeiro da casa chamado Mondego.” Continuaria em S. Martinho da Anta? Possivelmente.

Um ano depois de concluir os estudos, em 1934, adopta o pseudónimo Miguel Torga, com a publicação de nova prosa, intitulada A Terceira Voz. Ele próprio publicava as suas obras, em edições de autor com papel o mais barato possível, no que dizem mostrar uma faceta menos agradável: a forretice. Comprava livros trocando exemplares dos seus, quase não oferecia livros a ninguém e de Leiria a Coimbra viajava sempre em terceira classe; e televisão só comprou depois do 25 de Abril. Certo é que deu consultas médicas gratuitas.

As tertúlias em Coimbra prosseguiam, mas tornara-se desde cedo severo crítico da Universidade, onde via serem recusadas a originalidade e o “pensamento subversivo” e em que se vivia da “mistificação da borla e capelo”. Aliás, cometeu o acto criminoso, segundo as leis da praxe, de efectuar o seu acto de formatura com “fato banal”. E formou-se.

A atitude cívico-subversiva de Miguel Torga observar-se-ia ainda na forte oposição ao “Estado Novo”, valendo-lhe a prisão no Aljube, pela PIDE, assim como as suas obras seriam apreendidas por essa polícia política. Ainda que presidindo a alguns trabalhos socialistas, diria depois que “meu partido é o mapa de Portugal”. Os acontecimentos em torno do 25 de Abril, libertadores, afastam-no da política, da qual diz ser uma aflição: “A política é para eles (os políticos) uma promoção e, para mim, uma aflição”.

Os famosos contos intitulados Os Bichos, a “minha pequena Arca de Noé”, onde encontramos o cão Nero, o galo Tenório e o melro Farrusco entre outra fauna igualmente interessante, seriam publicados em 1940, livro depois traduzido para alemão, basco, castelhano, japonês e romeno. Em 1937, haviam já aparecido Os Dois Primeiros Dias da Criação do Mundo. O Terceiro Dia e o Quarto Dia seriam publicados nos dois anos seguintes, ao ritmo de um por ano; o Quinto e o Sexto viriam a lume já em tempo democrático.

Em 1941, seriam publicados o primeiro volume do Diário, que chegaria a ter quinze volumes na edição do autor, e os lidos e relidos Contos da Montanha; em 1944 surgem os também celebrados Novos Contos da Montanha. A sua obra literária cresceria ainda em quantidade e em género, com incursões pelo romance (A Vindima), pelo teatro (O Paraíso, Sinfonia, Mar, Terra Firme) e com novos poemas (Nihil Sibi, Cântico do Homem, Câmara Ardente, entre outros textos poéticos).

O reconhecimento do seu valor artístico dispensaria prémios, mas foi proposto logo em 1960, e mais tarde, ao Prémio Nobel; não o receberia, mas segundo Jorge Amado estaria, ele próprio, acima do Nobel. Ainda assim, recebeu o Prémio Diário de Notícias (1969), o Grande Prémio Internacional de Poesia das Bienais Internacionais de Knokke-Heist (1976), o Prémio Internacional de Poesia (1977), o Prémio Morgado de Mateus (1980), o Prémio Montaigne (Alemanha, 1981), o Prémio Camões (1989), o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (1992) e o Prémio da Crítica (1993). Não foram poucos; teve, pois, a sorte do reconhecimento em vida.

Diz-se que Miguel Torga morreu em 17 de Janeiro de 1995, em Coimbra, mas várias vozes se levantam contra esta redução ao factual, ao canastro. O notável trasmontano afiançou que “o homem é, por desgraça, uma solidão: Nascemos sós, vivemos sós e morremos sós”. É de crer que, agora, não esteja só. Ele próprio o entreviu quando escreveu no seu Diário, assim:

Quando, por fim, o mundo for só nosso
Sem reparos alheios,
E os meus versos a fiel legenda
De cada hora,
Saberás, musa, claramente,
Como a vida dura
Para além da macabra certidão
Da realidade.
Pede, pois, com fervor,
À santíssima senhora
Da boa morte
Que, sem mais sofrimento,
Piedosamente,
Me receba nos braços rejelados,
E nos permita ser eternamente
Felizes e secretos namorados.

 


 

Agenda

 Sondagem

A crise financeira que agora chega a Portugal...?

Vai passar depressa.

Vai trazer novas oportunidades.

Vai trazer novas dificuldades.

Não é novidade nenhuma.

 

Votações Anteriores

Artigos de opinião

-Parabéns Pocariç@Online !!!

Por:Cleide Martins de São Paulo- Brasil

 

-Um grande abraço

Por:Esperança Vinagreiro kida

 

-O Banco do Jardim

Por:Fernando Rufino Leitão Neto

 

-Um abraço do Brasil

Por:Maria Isabel Batista da Silva

 

-50 Dias : Cheiros, Sabores e Amores em Portugal

Por:Maria de Lourdes Batista da Fonseca

 

-Do Brasil...

Por:Marcos Pinto Basto

 

-in Chorographia Histórico-Estatística do Districto de Coimbra

Por:Rui Pereira Coelho

 


NewsLetter
O seu nome:
O seu email:


 


 Notícias

 Sitemap

 Contacte-nos


PocaricaOnline@gmail.com

© 2002 - www.PocaricaOnline.com - Todos os direitos Reservados.