Apontado “poeta mítico por excelência”,
também dele diziam ser “um contemporâneo de Hesíodo”; nasceu Adolfo,
mas foi Miguel que se fez e, chamado da Rocha por seus pais, decidiu atribuir a
si mesmo, nomear-se, Torga, afinal de contas uma planta transmontana que agarra
as suas raízes… às rochas.
O sítio PocariçaOnline associa-se às comemorações do centenário do nascimento de
Miguel Torga, e, se razão é necessária, basta ver que assim continua a escrever
fundo nas almas de quem o lê:
Faço o que posso, e posso combater. Um verso resiste é um
bom soldado.
Quando a noite é maior, o céu deixa-se ver
À pequenina luz dum pirilampo alado.
Move montanhas, abre o mar imenso
A fé que não hesita. Cai uma
gota no terror suspenso,
E o sal das amarguras precipita.
Sozinho
na trincheira, vou cantando,
E o inimigo ouve-me, de lá... Ouve, e
não sabe quando
O poder do meu fogo acabará.